A morte não tem nada de glorioso. Qualquer um pode morrer.
“Teatro Vida” Apresenta…
PRIMEIRO ATO - A Estréia
A grande estréia depende de pelo menos duas pessoas, que um dia serão nossas conhecidas e que irão nos acompanhar por toda a vida (ao menos deveriam).
Quando essa condição é satisfeita, temos que aguardar por algum tempo, até que se acendam as luzes e você é “puxado” para o grande palco.
Ali começa sua peça, você interage com um público restrito e, querendo ou não, sua empresária está ali de olho em você. Sorte que ela sempre te dá apoio e torce a favor incondicionalmente!
Você entra num pequeno desespero e até chora de medo, (afinal, tudo depende apenas de você), mas logo o primeiro ato e o nervosismo da estréia passam e você corre pro colo acolhedor da sua empresária.
Ela te dá apoio por muito tempo, até chegar o próximo ato.
SEGUNDO ATO - Um público maior
Neste ato, o público já não é tão restrito, alguns você nem convidou, mas estão ali. Uns para te aplaudir e te apoiar, outros para fazer de tudo para você rir na hora da cena mais importante!
Você aprende que nem todo o público gosta da sua peça! Outros, mesmo sem nunca ter visto na vida, lhe aplaudem calorosamente. Estes últimos, você acaba convidando para interagir. Enquanto outros ficam para atuar junto com você.
Os novos atores sentem-se felizes por poderem ajudar nos momentos de erro em uma cena, nos improvisos em cada fala e nos deslizes de cada ação.
Agora, com estes novos atores e atrizes, sua peça ganha novos ares e cenários diferentes, maiores!
Nessa situação, sua peça é lançada em novos lugares, alcançando novos ambientes com um público ainda maior.
TERCEIRO ATO - Atores que vem e que vão
Após lhe acompanhar por um longo trecho de sua peça, alguns participantes têm que abandoná-la.
Você briga, discute, chora, implora. Mas não tem jeito. O show tem que continuar, e cada um acaba fazendo escolhas diferentes das nossas.
Estes criam novas peças, com novos participantes e, algumas vezes, infelizmente, você não pode mais fazer parte delas…
Nesse momento você tem duas escolhas: ou encerra seu espetáculo ali e se entrega, preferindo virar apenas um espectador; ou então seca sua última lágrima e continua o show, além de partir em busca de novos atores e atrizes.
Nessa busca, percebe que uma lhe chama a atenção. Aquela que você quase vira um espectador no meio do espetáculo e fica ali, babando pela belíssima atuação desta nova integrante.
Ao final deste ato, você se aproxima dela, tem até medo de trocar algumas palavras. E quando toma coragem, se policia ao máximo para não dizer nenhuma besteira. Ela sorri para você, por achar “uma graça” o seu jeito “sem-graça” de agir.
Este sorriso lhe abre as portas para tomar coragem e convidá-la para ser protagonista no seu show! E, depois de algum tempo, você explode de felicidade! Finalmente alguém mais para receber as luzes do espetáculo, para dividir os holofotes!
QUARTO ATO - Um novo show
Depois do último ato, com uma nova protagonista, você acaba, mesmo que sem querer, assumindo a responsabilidade de, além de atuar, ter que dirigir sua peça!
Você decide quem serão os novos atores, como eles irão atuar, quais caminhos seguir pelo palco e como irá manter o patrocínio, afinal, sem patrocínio, o show acaba de forma desastrosa.
Você faz todas as escolhas: atua, dirige, escolhe o figurino, leva seu show para outros lugares, chama outros atores e atrizes. E o espetáculo segue como você dirigiu! Tudo perfeito!
E quando você acha que assim será, até que as cortinas se fechem, você tem a grande surpresa: eis que chega um novo ator que, assim como você, surgiu após aquela mesma condição do início…
QUINTO ATO - A criação do novo ator
Agora, além de atuar, dirigir e manter o seu show, você se torna empresário.
Só que, para este atuar perfeitamente, depende única e exclusivamente de você, diretor!
Você tem que cuidar do figurino, da alimentação, da educação e todos os outros cuidados que este ator necessita. Afinal, sendo seu empresário, deve cuidar de tudo para que ele possa criar seu próprio show e fazer as escolhas corretas para o seu elenco.
E deverá ser assim, até que este amadureça a idéia de ser o protagonista e crie seu próprio espetáculo e o lance pelas cidades que escolher.
A estrada é longa e suas tarefas pesam…
Os anos passam…
Aquele ator que você cuidou por longos atos, começa a escrever sua própria peça.
Nesse momento, você começa a ser protagonista, diretor, patrocinador do seu e dos outros espetáculos e um pouco espectador também…
SEXTO ATO - O grande final
Depois da sua estréia, você passou por muitas coisas:
Teve atores e atrizes que surgiram em sua vida. Alguns lhe ajudaram a brilhar e outros simplesmente lhe tacaram os tomates!
Outros fizeram de tudo para que o show não parasse, outros para que ele nem começasse no dia seguinte!
Você conheceu diversas protagonistas, algumas ficaram longos trechos do show, outras não passaram de apenas mais algumas cenas.
Esqueceu falas, teve de improvisar…
Pensou em abandonar todo o espetáculo! Mas sempre teve o apoio dos seus empresários e outros patrocinadores.
Deu a volta por cima, melhorou o cenário, trocou todo o figurino!
Criou um novo ator, que, com sucesso, iniciou o novo show!
Agora, chegou a vez do ato final.
Você olha pra trás e lembra de tudo que passou.
As peças encerradas pela metade, outras que foram prolongadas…
Você analisa as críticas e relembra seus textos e atuações.
E, dependendo de como foi o seu show,
você sorri,
agradece ao seu público,
aplaude junto com eles,
agradece novamente,
e,
então,
as cortinas se fecham.
[silêncio]
Seus espectadores fiéis, lhe aplaudem, de pé.
E, lá do seu camarim, você se emociona e vê, por entre as cortinas fechadas, todos aqueles que um dia assistiram a seu espetáculo e outros tantos que um dia fizeram parte da sua peça.
Agora, aquele de quem você foi empresário, seguirá seus passos e você torcerá orgulhoso dos bastidores, para que outros mais o aplaudam de pé ao fechar das cortinas…
FIM
(da sua peça, mas o Teatro Vida não tem fim…)
Fonte: berteges.com
Pseudo-Cult
Lá vem ela falando palavras dificeis, que procurou hoje pela manhã no dicionário.
Aquela era realmente incomum, e ela repetiu incansavelmente durante a conversa na rodinha de amigos, até que alguém finalmente perguntou:
- O que é isso?
Então, num momento de glória interna, ela respondeu:
- É “tal coisa”!
No mesmo instante abriu um sorriso vitorioso e foi caminhando pra pegar seu troféu imaginário dentro da sua cachola viajante…
Fonte: berteges.com


